Adolescentes do projeto Estação Juventude atuam na Marcha contra o Genocídio




Em oficina desenvolvida pela Oscip De Peito Aberto nos centros socioeducativos, os jovens trabalharam na confecção de cartazes em apoio ao protesto


23 de Agosto de 2013

Com palavras de ordem como “Chega de Racismo”, “Saudade dos meus amigos” e “Paz”, adolescentes que cumprem medidas socioeducativas no Centro de Internação Provisória São Benedito (bairro Santa Tereza, regional Leste de Belo Horizonte) confeccionaram dezenas de cartazes em apoio à Marcha Nacional contra o Genocídio do Povo Negro, protesto que mobilizou diversas capitais brasileiras na última semana (quinta-feira, 22/8). A atividade foi desenvolvida na oficina de Artes Visuais, ministrada por Ed Marte, dentro do projeto Estação Juventude, desenvolvido pela Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (Oscip) De Peito Aberto, em parceria com a Secretaria de Estado de Defesa Social (Seds/ MG), por meio da Subsecretaria de Atendimento às Medidas Socioeducativas (Suase).

A atividade partiu de um resgate histórico do movimento popular contra o grande número de mortes entre a juventude negra de periferia no Brasil, passando pelos índices de racismo e violência no país. Em mais de 20 cartazes, feitos com cartolinas, pincéis e canetas, os 32 adolescentes participantes puderam escrever e ilustrar suas impressões, desejos e revoltas. “Colocaram o nome das quebradas e facções, assim como frases de músicas criadas ou sampleadas, ligadas ao tema de forma bastante forte, clara e direta”, destacou Ed Marte. Para o educador, a confecção dos cartazes seria uma forma importante de representação desses adolescentes na marcha, um meio de aproximar esses jovens do discurso político das ruas. “Sei que ainda é pouco, mas, de uma forma sutil, a atividade deu voz a eles nesse momento de luta”, completou. Os cartazes percorreram a marcha nas mãos dos educadores do projeto e de outros manifestantes presentes.

Protesto

A violência contra os jovens brasileiros triplicou nas últimas três décadas conforme números apresentados pelo Mapa da Violência 2013: Homicídio e Juventude no Brasil, publicado no último mês de julho pelo Centro de Estudos Latino-Americanos (Cebela), com dados do Subsistema de Informação sobre Mortalidade (SIM) do Ministério da Saúde. De acordo com a pesquisa, entre 1980 e 2011, as mortes não naturais e violentas de jovens por homicídios aumentou 326,1%, representando o assassinato de quase 19mil jovens na faixa etária de 15 a 25 anos, em 2011.

Para os especialistas responsáveis pela publicação, o aumento da violência contra a juventude demonstraria a omissão da sociedade e do Poder Público em relação aos jovens. O estudo aponta para a concentração da violência homicida em áreas específicas, onde a presença do poder público e da segurança seriam extremamente deficitárias, como novos pólos de desenvolvimento, municípios de zona de fronteira, arco do desmatamento amazônico, regiões de turismo predatório, currais políticos tradicionais do coronelismo e localidades com domínio territorial de quadrilhas, milícias e tráfico.

Dados do Mapa da Violência 2012 – A Cor dos Homicídios revelam que, em 2002, o total de jovens negros mortos foi 71,7% maior que o de brancos. Em 2010, a diferença aumentou para 153,9%, representando a morte de quase 20mil jovens negros e 6,5mil brancos. A Marcha contra o Genocídio do Povo Negro reivindicou a transformação dessa realidade e a criação de políticas públicas que promovam e garantam o direito à vida da juventude pobre e negra do país.

Por: Assessoria de Comunicação De peito Aberto | Larissa Metzker
Crédito foto: Ed Morte

 
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